domingo, 12 de dezembro de 2010

Solidão Dispare...

      A solidão é um sentimento canibalista. Sentir-se só, envolvido em pensamentos obtusos, corrompidos pela falta de perspectiva com a humanidade tornou-se comum pra mim. Se hoje olho para os anos que me afastei dos poucos que conhecia, vejo como a noção de “animal politico” é um fardo que carregamos costurado a nossas costas, ou melhor, a necessidade de sociabilização é como um câncer por vezes, e por outras vias soa apenas como um braço extra e atrofiado...
     Às vezes queria apenas adentrar em um procedimento cirúrgico e amputar este braço, em outras situações queria entender e me acostumar com o peso a mais.
      A solidão me corrompe cada vez mais. Cada vez mais me sinto saindo das sombras de uma situação complexa e antiética, para entrar em uma nova área de breu, o breu total. Tento lembrar que o breu sempre pode se tornar mais denso, mas então percebo que a eternidade é o presente, e a naturalidade com que a angustia se impõe como eterna é algo palpável por conta do fator temporal e presencialmente continuo.
Existe um grande equivoco equitativo correlacionado a capacidade de racionalidade ativa. Pensa-se que o pensador, que o filósofo é racional e quase livre às imposições das emoções, mas quanto mais presença ativa de “ratio”, maior é o contraponto emocional a ser rebatido, ou equilibrado. Tornar as coisas descaradamente simplificadas e auto resolutivas é evitar (Mesmo que inconscientemente) a natureza trançada e complexa das coisas, mas tornar a simplicidade concreta e indivisível de certas ocasiões em algo complexo em prol do glamour metodológico materialista é por muitas vezes irracionalidade.
      Deixando a ferida não cicatrizar lembro-me de que sou humano. Existem situações em que deixar a cicatrização agir é admitir que a causalidade do sofrimento foi algo inevitável (Mesmo com a falta de sucesso, a possibilidade de se evitar a dor existiu e existirá mais vezes), e também por vezes manter a angustia viva é manter o escudo em riste, vigilante, pronto para evita ferimentos similares.
       Quanto mais emoções mundanas e da espécie me afligem, me incomodam como moscas insistentes, mais desenvolvo minha razão, e quanto mais desenvolvo o “logos”, mais potencialidade sentimental eu adquiro.
        O fardo é pesado. Sentir-se fora da roda do mundo é desesperador. Fortaleço-me, mas a força oposta cresce junto, e a vontade de desistir é sempre mais sensual, principalmente quando a solidão se impõe de todos os lados...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Influências do Velho Buk - I

Insólitas vozes do coração
Sêmen amarelado, gasto e fétido.
Se hoje uns buscam ferramentas pra se equilibrar
É só porque as coisas precisam lá estar
Como num pedestal
Como um santo pendurado no poço do vizinho
As pessoas querem o sexo e o amor ao mesmo tempo
Isto é fisicamente impossível...
Se a puta pensa em sentimento
O homem pensa em mamilos
Se a puta pensa em glande
O homem pensa em não pagar o serviço
Porque se uma puta ama
Ela não tem ética profissional...
Enfim o amor tornou-se antiético
Insosso...
Assim como quem ama e não é amado
Como quem goza e não faz gozar
Como quem fica sozinho sem querer ficar...
Belas curvas...
Homens feios
Dedos sujos
Alguns pentelhos...
Todos têm...
Mas não queremos
Apenas temos
Cedemos ao temor de nunca ter amor e sexo bom ao mesmo tempo
Doce ilusão
Romântica perspectiva
O primeiro beijo é o mais sincero
O segundo é só o segundo
E o ultimo é hipocrisia...
Demasia...
Autoflagelo.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Devaneios entre amigos

- Responda meu amigo. Você acha possível alguém aprender alguma coisa só através da teoria, digo, sem sentir na carne a cagada toda?
- Acho que não...
- Então para você todo teórico é um hipócrita?
- Bom... Pensando dessa maneira acho que sim...
- Então alguém só sabe realmente o que é casamento se é ou já foi casado?
- De forma completa, sim.
- Mas sendo assim, todos os hedonistas que dizem condenar o casamento também são hipócritas?
- Se você entende que pra conhecer algo tem que inevitavelmente conhecer tal coisa por completo, diria que sim... São hipócritas por causa de sua ignorância.
- Mas alguém pode obter culpa só por ser ignorante?
- Apenas se teve a chance de deixar o âmbito da ignorância e negou o caminho...
- Que quer dizer com caminho?
- Respostas.
- Mas se trata-se do plural (Respostas) é porque podem existir no mínimo dois caminhos (E não “o” caminho). Isso quer dizer que existem varias “verdades”. Como isto pode ser possível?
- É possível porque a verdade não existe. O que existe é a conveniência.
- Então todos estão certos e errados ao mesmo tempo?
- Isso explica muita coisa...
- E também não explica porra nenhuma.
- Putz.. Tem razão.. Quer dizer, não tem razão.
- Isto. Os dois. O dualismo foi inventado pra entender algo complexo na sua indivisível totalidade.
- Engraçado. Porque tornando algo concreto em coisa divisível obriga-nos a ter que montar um quebra-cabeça irônico. Afinal é puro cinismo reorganizar algo que naturalmente já nasceu pronto...
- É uma babaquice. Peças do quebra-cabeça podem se perder.
- Ou serem perdidas...
- Ou escondidas.
- De propósito?
- Por que não?
- Bem. Ai voltamos aos hipócritas.
- Sempre se volta aos hipócritas.
- Droga!
- Realmente. Uma grande droga multidimensional e volátil... O Mundo.