A solidão é um sentimento canibalista. Sentir-se só, envolvido em pensamentos obtusos, corrompidos pela falta de perspectiva com a humanidade tornou-se comum pra mim. Se hoje olho para os anos que me afastei dos poucos que conhecia, vejo como a noção de “animal politico” é um fardo que carregamos costurado a nossas costas, ou melhor, a necessidade de sociabilização é como um câncer por vezes, e por outras vias soa apenas como um braço extra e atrofiado...
Às vezes queria apenas adentrar em um procedimento cirúrgico e amputar este braço, em outras situações queria entender e me acostumar com o peso a mais.
A solidão me corrompe cada vez mais. Cada vez mais me sinto saindo das sombras de uma situação complexa e antiética, para entrar em uma nova área de breu, o breu total. Tento lembrar que o breu sempre pode se tornar mais denso, mas então percebo que a eternidade é o presente, e a naturalidade com que a angustia se impõe como eterna é algo palpável por conta do fator temporal e presencialmente continuo.
Existe um grande equivoco equitativo correlacionado a capacidade de racionalidade ativa. Pensa-se que o pensador, que o filósofo é racional e quase livre às imposições das emoções, mas quanto mais presença ativa de “ratio”, maior é o contraponto emocional a ser rebatido, ou equilibrado. Tornar as coisas descaradamente simplificadas e auto resolutivas é evitar (Mesmo que inconscientemente) a natureza trançada e complexa das coisas, mas tornar a simplicidade concreta e indivisível de certas ocasiões em algo complexo em prol do glamour metodológico materialista é por muitas vezes irracionalidade.
Deixando a ferida não cicatrizar lembro-me de que sou humano. Existem situações em que deixar a cicatrização agir é admitir que a causalidade do sofrimento foi algo inevitável (Mesmo com a falta de sucesso, a possibilidade de se evitar a dor existiu e existirá mais vezes), e também por vezes manter a angustia viva é manter o escudo em riste, vigilante, pronto para evita ferimentos similares.
Quanto mais emoções mundanas e da espécie me afligem, me incomodam como moscas insistentes, mais desenvolvo minha razão, e quanto mais desenvolvo o “logos”, mais potencialidade sentimental eu adquiro.
O fardo é pesado. Sentir-se fora da roda do mundo é desesperador. Fortaleço-me, mas a força oposta cresce junto, e a vontade de desistir é sempre mais sensual, principalmente quando a solidão se impõe de todos os lados...