sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Ultimo texto do ano

Escrever é quase sempre como olhar no espelho. É quase uma tarefa subcutânea, cheia de procedimentos evasivos e cautelares, como desativar uma bomba e ativa-la novamente.
Sinto a necessidade de exorcizar a própria necessidade. Os sentimentos são demônios joviais, envoltos em uma armadura reluzente construída com todos os seus desejos. Há muito, mas muito tempo mesmo que quero ler Faulkner, mas quando tomei coragem, a edição havia se esgotado, e mais uma vez, assim ficou fácil pensar em destino...
“Pra onde devo ir? Será que devo ir?” Diz a canção... Será tudo que começa, há de terminar no seu contrario? Estaria o poeta que não é mais poeta certo quando disse que “todos os grandes amores tem de partir um dia”? Pois se não, não seriam grandes amores?
O som e a fúria ainda aguardam minha visão. Tudo que acaba ou é por conta da existência de seu contrario, ou é por ser aniquilado por este contrario. Tento continuar o texto, mas tenho vontade epidêmica de apagar tudo, como se a urgência da vida fosse contra a arte, como se arte fosse pra quem não tem urgência de amar, mas apenas de se lamentar.
“Sinto um vazio” ouvi dizer. É tudo um vazio? Magoar é necessário? Angustia e amargores não vão embora juntos, mas chegam de uma vez só. Somos fantasmas de nós mesmos? Masoquistas que flagelam a não-carne e se frustram por não sentir dor? O prazer é um castigo?
Dizem que a não individualidade é sabedoria. Mas dizem que se esquecer de si mesmo é não ser sábio. Dizem que amor genitor é o único verdadeiro. Mas dizem que amar sua cria é como amar a si mesmo, carne de sua carne é você mesmo e não outra coisa. Dizem que dizer é apenas dizer. Mas dizem que realizar sem dizer é como ficar de pé sem nunca saber o que são pernas. Enfim, dizem muitas coisas sem dizer nada. Mas não dizem nada e mesmo assim significam mais do que devem significar.
Textos inúteis que servem apenas como vomito que vai ser esquecido, fezes que vão embora para o esgoto. Escrever é magia, mas apenas quando se escreve do irreal. Estamos cheios do real. Esse real cíclico, esse real vicioso, esse real tirano, cheio de doçura e água neutra, cheio de rebeldia e entrega sincera. O real da não submissão, o real da postura inferior por escolha. Onde esta o furor do hedonismo calculado? Falo de coisas sem sentido? Falo demais como mais um louco qualquer que fala para parede? A parede esta prestes a me responder... E eu não quero que ela responda.
Ah! A fraqueza de fotografar e assinar suas fraquezas em frames cartunisados. É como se a vida e as pessoas tivessem sido sempre desenhadas por Robert Crumb. Mas do que adianta citar? Ninguém vai procurar. Ninguém irá prestar atenção alguma! É tudo como se fossemos crianças espartanas deixadas para morrer após o primeiro erro de treinamento bélico. Mas a vida não é um treinamento. É apenas a guerra, crua, cinza e nua... como a vida é um acaso no começo, é um acaso no seu fim.
Eu não queria escrever essas palavras porque ainda tenho esperança. A esperança doce e vulgar do homem demasiado homem. A espécie exige força, há um motivo para esconder as fraquezas, teremos sempre que substituir o vazio da força por outra força qualquer. Sinceridade. Morreu com Buda, morreu com Jesus-Cristo, morreu...

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Reflexão vespertina dos extremos, paralelas e perpendiculares.


Soltei as cordas que decifravam meus movimentos. Quis desesperadamente amarra-las novamente... Onde esta o sólido? O que é o sólido? O solido só pode ser algo não sólido forjado meio ao fogo propulsor,  o fogo planejado. O que é solido por essência não tem centro. Somos casca, e em algumas partes da superfície oval somos mais espessos, e quando o impacto é necessário são estas as partes que servem de escudo propositalmente.

Choramos por não haver compreensão nesse mundo que não através de uma benigna e rara alteridade. Choramos por não querer chorar. O que é a força? O que é o maleável? Há força maleável nesta existência questionável? Somos a vida da mosca sem a precisão da rotina. Somos a rotina da não-rotina sem o invólucro da mosca.

Penso logo sou, não sou e logo penso. Sinto logo sangro, sangro enquanto sinto. Vivo enquanto morro, morro ainda vivo. Somos a fuga da barata que teme a opressão física. Somos a opressão física nos esquecendo de que somos apenas baratas com pensamentos além radioatividade.

Onde está o chão que não embaixo de nossos pés? Onde estão nossos pés que não flutuando em nossos desejos? Quiseram nos dizer que não há escolha, quiseram nos dizer que escolher é condenação, que carregar o estandarte é inevitável mesmo sendo o estandarte da não escolha. Somos a falta do carimbo, o carimbo sem assinatura, o sono sem o descanso, mas não o descanso sem o sono. Somos a beira do abismo, mas não o abismo em sua extensão, somos o fim do proposito e o proposito do fim.

Sorrateiramente cobri meus olhos com dedos engordurados. Meus olhos de vidro embaçaram e nunca mais consegui reaver a transparência do enxergar por enxergar. Somos o fantasma tateável, somos o tato do fantasma. Somos o canino do monstro e o monstro que bebe pelo canino. A sede... A sede... A  sede...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Reflexões da madrugada sem pálpebra


Espasmos tóxicos da minha psiquê. Um gigante oriundo de terras tecnológicas se liquefaz frente a logica incoerente do amor. Caminho sobre alguns pensamentos enquanto sem suar sou cavalgado pelo prazer, traços angelicais imbuídos por doces odores... Sou como aquele raio que ilumina mas não é notado pela audição, ou como o trovão que repercute a duvida do pouso ziguezagueante do raio... Sinto-me novamente como um menino dançando passos tortos no meio da voracidade energética,  madura e feminina .. Sinto-me confuso como na primeira vez de tudo que vem primeiro... Sinto-me inocentemente sábio... Sinto-me no, para e como o amor.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Querida duas vezes


É na visão do forro, que eu discorro
Sobre o que não foi...
O dia acaba, e é assim sem fala...
Que não entendo o nunca mais.

Mais um ou dois dias, algumas poesias
O velho vem e vai...
Ideias absurdas, mistério sem lacunas
Onde você vai...?

Silente névoa de novo, engodo
Ser apenas o que sou não posso mais
Três pequenas estrelas encaracoladas
Cheias de sorrisos, bem guardadas e a salvas
Do que não se pode completar...

Mais alguns escritos, pro meu e para os seus discos
Que na memória hão sempre de tocar...
E se o “se” estiver lhe vindo, como um fantasma sem abrigo
Lembrarei do que eu quis e nunca será...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Eu, o Abismo e o Monstro


Cheguei no limiar do abismo, e assim como o mestre, olhei para a escuridão e vi que a escuridão me encarava, procurei o monstro e ele me olhou dentro dos olhos, testou meu espirito. Sinto a saudade dos dias nunca vividos. Presencio a simplicidade das horas, do rio da vida. Pequenas fagulhas que brilham no fundo do precipício. Presentear e não ser presenteado, egoismo insólito? De fato, mas é no pó do egoismo que me vejo humano, outro fato. Confidenciar e não ser deposito de confidencia, pretensão insólita? De fato, mas é na falta de amor próprio que sinto o sabor da minha ignorância, outro fato.
“Pathos” – Paixão: Por poucos e por muito poucos, poucos muitos cheios de muitos e poucos.
“Aletheia” – A verdade: Mal da nova era, doença e cura da moral passageira. É aonde o medo de confiar gera perca de oportunidades, distanciamento da felicidade, pessoas que vão e não ficam, pessoas que ficam e não vão...
Lancei-me no abismo e durante a queda, senti o vento gelado farfalhar a pele do meu rosto, e me vestindo dos reflexos das gotas d’agua, vi-me em um prisma infinito de “eus”, como quem olha para a própria imagem no espelho refletida em outro espelho. Foi o que vi:
Um eu fraco e imperfeito, cheio de cicatrizes mundanas
Um eu orgulhoso e reprimido, caçador de caçadores, caçador e caça ao mesmo tempo
Um eu único, repleto de minucias e marcador de vidas alheias
Um eu raivosamente bondoso e bondosamente raivoso, equilibrista das ideias e dos sentimentos
Um eu criança, levemente ruborizado pelos encantos da vida, encantadoramente esquecido pelo bulling da espécie
Olhei o monstro nos olhos, ele retribuiu e sussurrou:
Persegues o olhar certo e errado na mesma retina, e este é o segredo da sua tristeza. Não espere nada do que não anda com a própria alma. Reclame não só as areias do tempo do seu coração, mas também ao pingo da chuva que mira seu espirito. Mongifica-se! Pois sobreviver ao olhar do abismo é como sentir o sal da morte e ainda sim viver, viver, viver e viver...

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O menino e o brilho das estrelas


     Um menino observava a via láctea sem saber que o nome do rastro branco no céu era este, então pensou consigo mesmo e para as estrelas – “existirá entre essas estrelas algo de sábio?” – Então uma estrela cadente ziguezagueou frente seus olhos pequeninos, imaturos e mortais.
                “Poderei eu um dia caminhar ao lado das estrelas?” – pensou novamente consigo mesmo e seus botões de madeira. Existem dias em que as estrelas brilham mais, dias em que o brilho parece mais firme porque o menino parava para observá-las, e dias em que sem olhar, chamavam-lhe a atenção pelo repentino clarão de inesperadas chuvas de cometas, como lagrimas de alegria, lagrimas dos deuses...
                “Será que as estrelas mais brilhantes se sentem sozinhas? Será que elas as vezes nos observam como eu as observo, imaginando que somos como infinitos pontos que também se sentem sós?” – Refletiu o menino, lembrou da amizade, lembrou da distancia, lembrou dos pequenos significados do dia a dia, lembrou que já lembrou dessas coisas antes.
             “No fim sou abençoado por ser um dos observadores das estrelas, dos grandes brilhos que iluminam meus olhos e meus caminhos mais singelos, dadiva ambígua como qualquer dadiva...” – Indagou o menino que através da vontade de desapego parecia mais velho.
                “Talhei essas runas mágicas forjadas em aço através dos quatro elementos pra vocês, estrelas brilhantes e passageiras! Observo de longe, como alguém na praia olhando o crepúsculo  lindo, fatal, finito e eterno como a própria vida. Não é possível alcançar o horizonte atrás do mar onde o sol se vai, dando lugar ao mar aéreo de estrelas, mas lanço meu olhar pela parede transformada, antes de areia, como numa luneta mistica que sempre faz me lembrar quem eu sou!” – e o menino em sua meninice sentiu-se ainda mais menino perante a protuberância de emoções inexplicáveis impronunciáveis através de dialetos comuns e irredutíveis pela cartase dos dias. Sentiu-se agudo, grave, médio, mas não tão veloz quanto o som. Sentiu-se maravilhosamente só.
               “Estrelas? Estrelas? Me ouvem? Não?? Não haverá problema se não me ouvirem, se não me notarem... Pois cumprem todos os dias seu papel de estrelas, seu desígnio  sua significância .. O de iluminar qualquer criatura sã da beleza contida nas estrelas, do espirito condutor do desigual! E por isso meu carinho estará sempre com vocês.”

sábado, 27 de abril de 2013

Filme da madrugada


Todas as histórias de amor são iguais;
Tristes como o por do sol...
Livres como o amanhecer...

Todas as histórias de amor são iguais;
Lindas como a finitude...
Insuperáveis como a própria vida...
Lamentavelmente ilamentáveis como o próprio ser.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Amador, Ama dor


E lentamente eu me via consumido pela paisagem, ou melhor, por uma parte da paisagem, que se movimenta, que parece flutuar, que claramente como todas as outras coisas, independe da minha existência. Olhar depreciativo? De forma alguma. Tudo isso não faz ponte com o que realmente gostaria de estar sentindo. São como cabelos presos e ao vento, que a qualquer instante tendem a ser rebelar e esvoaçar, reverberando, solidificando meu penar.
“I want someone badly” como naquela canção. Solidão não soa melhor do que uma má companhia, solidão hoje é acido, é meu nome. Os anos passam devagar, e a vida cinza, com pequeninos pontos coloridos por aquarela, e eu estático preso em linhas pretas no papel branco, observando os pigmentos aleatórios no canto da página, cores que nunca irão me colorir.
O amor é uma dadiva? De algum angulo diverso poderia ser maldição? A procura da exatidão, da convulsão perfeita, do beijo sem intenção?
E foi ali que percebi meu amadorismo. Ali que me senti humano como nunca anteriormente. O descontrole, o pulsar, a vida, o pregador de peças, o bufão, um homem comum.
“I am my mother’s only one, it’s enough...” como naquela canção. “Mãe não é mulher, não para o filho” disse um amigo. E o caminho reverso? E o calor de verdade? E a doença completa? Glamour discreto? Incerto?
Fidelidade a memoria ruim...

sexta-feira, 8 de março de 2013

Teu jeito, meu olhar


Moça! Moça silente...
Olhar baixo, leve, sotaque ausente
Se velas teus caminhos com poucos olhos
É porque a irreverencia é o caminho...

Baila a vida sem bailar
Em seus pequenos passos
Degusta o tempo
Ínfimos longos momentos
Sussurra pra si mesmo: “Quieta no meu cantinho”

Numa pirueta imaginaria
Em uma vontade única e planetária
Coreografa o grafiar sublime de sua própria existência
Sorrisos e espasmos bonitos
Como na canção dos sonhos siameses
A carruagem volta a ser abóbora
Mas o brilho continua a reverberar
A tilintar... cristalizar...

Não, não há ranger, constranger, nem envaidecer...
É só inspiração, criação, reação...
Fagulhas obtusas da arte, do ser.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Significado (final): A busca do significado, construindo memórias.


A meia luz da tarde púrpura
Na calmaria tediosa dos domingos
Sobre o semblante repetido da relevante intenção
O conhecimento é algo vil? A ignorância, benção de alguns seria a benção de todos?
“Ser sábio é saber a hora certa em abdicar a própria sabedoria”
Disse um velho e eterno jovem Sábio.

“Amizade é uma alma habitando dois corpos”
– sussurrou o filósofo dos filósofos em seu suspiro, na busca por equilíbrio e moderação -
“Há uma circulação comum, uma respiração comum. Todas as coisas estão relacionadas.”
- murmurou o primeiro grande médico, e assim, polvilhou as mentes e os corpos com algo além da matéria e através da matéria –

Mas o jovem e imperito pensador
Amador nas virtudes da desconfiança
Apreciador da arte de viver, mesmo sem compreensão satisfatória
Ainda admira a simplicidade do espírito
Das boas intenções...

Mas o jovem e solitário pensador
Sonhador da realidade
Reverendo profundo da beleza contida no mistério
Espalha tristeza e sente a dor do mundo...
A sofreguidão intima e empática das auras coloridas
Da vontade de ser visto como alguém verdadeiro

A teoria não é nada sem a pratica
Não há excelência da pratica sem a teoria

Este é um escrito diverso
Cheio de reverso seguem os versos
Pequenas meditações, água fermentada de emoções
Melodias calmas na penumbra
Mente moribunda e soturna
A resolução de uma fase
O que seria de mim sem a cartase?

Entenda, sinceridade é meu mal
Mas vivacidade é algo que não se compra
Da-se de presente
O silencio é a alvorada que aguarda o crepúsculo das ideias
Não sou a relva do caminho, como aquela que já passou
Ou aquela que esta por vir, e não se sabe mais diferenciar com o sopro do tempo
Muito menos a pedra de Drummond...
Sou mais como a brisa da maré
Aquela que no fim da tarde suaviza os rostos, mas só se encontra naquele lugar
Sou mais como o atalho do caminho que leva ao conforto do seu lar
Sou o auxilio...
Sou o construtivo no penar...

A grande beleza das pequenas mãos
A timidez do sorriso, do olhar...
Os cabelos meticulosamente presos, negros...
A independência, certa inconsciente transcendência
Muitas canções e escritos pra você
E o fim se prostra como se deve
E que o filósofo dos filósofos rompa a película do tempo
E que a amizade tome forma e habite dois corpos
E que as areias da ampulheta revistam seu coração... Um quinhão, o carinho é o caminho pra tudo...
Sou e sempre serei seu eterno “pseudo-poeta”
Sou o comum...
Ser de virtudes e defeitos incomuns
Sou a incerteza que surpreende com a certeza
Sou mais um sem ser mais um
Sou só eu...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Pequeno Príncipe: Ensina-me a ser só eu...


E se o acaso não é por acaso
Espero que o caso não seja apenas um caso
Casualmente não pode ser descaso
Do acaso a ocasião
Ocasionalmente que venham novos acasos
Devagarzinho, bem devagar...
Vou ficar sozinho
Só eu...

Nada


Até que ponto a poeira cósmica resvala na carne viva?
O tempo é o Ás de espadas da contravenção...
Olhos cheios de lagrimas, repulsa, incompreensão.
Comendo o próprio vomito, sentimentos...
Desintoxicação!

Escrevendo palavras que nunca serão lidas
Que se fossem não seriam entendidas
Nem por mim nem por minhas tripas
Vontade de deixar tudo pra trás

Quanto mais profundo, mais chato e disforme
Quanto mais sincero, sem graça e sem toque
Pessoas estúpidas por todos os lados
Estupidez minha em todo lugar

Não é ódio não
É só infantilidade
E sobre a visão da maldade
A imperfeição vai me aceitar

Não é ópio não
É só humanidade
E sobre a miséria e a bondade
A perfeição vai me matar

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Desintoxicação – 2


Confuso, dispare...
Faltas de respostas, mal estar pós-civilidade;
Encaro meu par de tênis  durante algumas horas
Branco...
Mente...
Vazio...
Por quê?

Não existe conclusão
Só existe caos...
Entender ordem no caos?
Risos...
Gargalhadas sem fim