terça-feira, 9 de abril de 2013

Amador, Ama dor


E lentamente eu me via consumido pela paisagem, ou melhor, por uma parte da paisagem, que se movimenta, que parece flutuar, que claramente como todas as outras coisas, independe da minha existência. Olhar depreciativo? De forma alguma. Tudo isso não faz ponte com o que realmente gostaria de estar sentindo. São como cabelos presos e ao vento, que a qualquer instante tendem a ser rebelar e esvoaçar, reverberando, solidificando meu penar.
“I want someone badly” como naquela canção. Solidão não soa melhor do que uma má companhia, solidão hoje é acido, é meu nome. Os anos passam devagar, e a vida cinza, com pequeninos pontos coloridos por aquarela, e eu estático preso em linhas pretas no papel branco, observando os pigmentos aleatórios no canto da página, cores que nunca irão me colorir.
O amor é uma dadiva? De algum angulo diverso poderia ser maldição? A procura da exatidão, da convulsão perfeita, do beijo sem intenção?
E foi ali que percebi meu amadorismo. Ali que me senti humano como nunca anteriormente. O descontrole, o pulsar, a vida, o pregador de peças, o bufão, um homem comum.
“I am my mother’s only one, it’s enough...” como naquela canção. “Mãe não é mulher, não para o filho” disse um amigo. E o caminho reverso? E o calor de verdade? E a doença completa? Glamour discreto? Incerto?
Fidelidade a memoria ruim...

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