Cheguei no limiar do abismo, e
assim como o mestre, olhei para a escuridão e vi que a escuridão me encarava,
procurei o monstro e ele me olhou dentro dos olhos, testou meu espirito. Sinto
a saudade dos dias nunca vividos. Presencio a simplicidade das horas, do rio da
vida. Pequenas fagulhas que brilham no fundo do precipício. Presentear e não
ser presenteado, egoismo insólito? De fato, mas é no pó do egoismo que me vejo
humano, outro fato. Confidenciar e não ser deposito de confidencia, pretensão
insólita? De fato, mas é na falta de amor próprio que sinto o sabor da minha ignorância, outro fato.
“Pathos” – Paixão: Por poucos e
por muito poucos, poucos muitos cheios de muitos e poucos.
“Aletheia” – A verdade: Mal da
nova era, doença e cura da moral passageira. É aonde o medo de confiar gera
perca de oportunidades, distanciamento da felicidade, pessoas que vão e não
ficam, pessoas que ficam e não vão...
Lancei-me no abismo e durante a
queda, senti o vento gelado farfalhar a pele do meu rosto, e me vestindo dos
reflexos das gotas d’agua, vi-me em um prisma infinito de “eus”, como quem olha
para a própria imagem no espelho refletida em outro espelho. Foi o que vi:
Um eu fraco e imperfeito, cheio
de cicatrizes mundanas
Um eu orgulhoso e reprimido,
caçador de caçadores, caçador e caça ao mesmo tempo
Um eu único, repleto de minucias
e marcador de vidas alheias
Um eu raivosamente bondoso e
bondosamente raivoso, equilibrista das ideias e dos sentimentos
Um eu criança, levemente ruborizado pelos encantos da vida, encantadoramente esquecido pelo bulling da
espécie
Olhei o monstro nos olhos, ele
retribuiu e sussurrou:
Persegues o olhar certo e errado
na mesma retina, e este é o segredo da sua tristeza. Não espere nada do que não
anda com a própria alma. Reclame não só as areias do tempo do seu coração, mas
também ao pingo da chuva que mira seu espirito. Mongifica-se! Pois sobreviver
ao olhar do abismo é como sentir o sal da morte e ainda sim viver, viver, viver
e viver...
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