Um menino
observava a via láctea sem saber que o nome do rastro branco no céu era este,
então pensou consigo mesmo e para as estrelas – “existirá entre essas estrelas
algo de sábio?” – Então uma estrela cadente ziguezagueou frente seus olhos
pequeninos, imaturos e mortais.
“Poderei
eu um dia caminhar ao lado das estrelas?” – pensou novamente consigo mesmo e
seus botões de madeira. Existem dias em que as estrelas brilham mais, dias em
que o brilho parece mais firme porque o menino parava para observá-las, e dias
em que sem olhar, chamavam-lhe a atenção pelo repentino clarão de inesperadas
chuvas de cometas, como lagrimas de alegria, lagrimas dos deuses...
“Será
que as estrelas mais brilhantes se sentem sozinhas? Será que elas as vezes nos
observam como eu as observo, imaginando que somos como infinitos pontos que
também se sentem sós?” – Refletiu o menino, lembrou da amizade, lembrou da
distancia, lembrou dos pequenos significados do dia a dia, lembrou que já
lembrou dessas coisas antes.
“No
fim sou abençoado por ser um dos observadores das estrelas, dos grandes brilhos
que iluminam meus olhos e meus caminhos mais singelos, dadiva ambígua como
qualquer dadiva...” – Indagou o menino que através da vontade de desapego
parecia mais velho.
“Talhei
essas runas mágicas forjadas em aço através dos quatro elementos pra vocês,
estrelas brilhantes e passageiras! Observo de longe, como alguém na praia
olhando o crepúsculo lindo, fatal, finito e eterno como a própria vida. Não é possível alcançar o horizonte atrás do mar onde o sol se vai, dando lugar ao
mar aéreo de estrelas, mas lanço meu olhar pela parede transformada, antes de
areia, como numa luneta mistica que sempre faz me lembrar quem eu sou!” – e o
menino em sua meninice sentiu-se ainda mais menino perante a protuberância de
emoções inexplicáveis impronunciáveis através de dialetos comuns e irredutíveis pela cartase dos dias. Sentiu-se agudo, grave, médio, mas não tão veloz quanto
o som. Sentiu-se maravilhosamente só.
“Estrelas?
Estrelas? Me ouvem? Não?? Não haverá problema se não me ouvirem, se não me
notarem... Pois cumprem todos os dias seu papel de estrelas, seu desígnio sua significância .. O de iluminar qualquer criatura sã da beleza contida nas
estrelas, do espirito condutor do desigual! E por isso meu carinho estará
sempre com vocês.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário