Soltei as cordas que decifravam
meus movimentos. Quis desesperadamente amarra-las novamente... Onde esta o
sólido? O que é o sólido? O solido só pode ser algo não sólido forjado meio ao
fogo propulsor, o fogo planejado. O que é solido por essência não tem centro.
Somos casca, e em algumas partes da superfície oval somos mais espessos, e
quando o impacto é necessário são estas as partes que servem de escudo
propositalmente.
Choramos por não haver
compreensão nesse mundo que não através de uma benigna e rara alteridade. Choramos
por não querer chorar. O que é a força? O que é o maleável? Há força maleável
nesta existência questionável? Somos a vida da mosca sem a precisão da rotina.
Somos a rotina da não-rotina sem o invólucro da mosca.
Penso logo sou, não sou e logo
penso. Sinto logo sangro, sangro enquanto sinto. Vivo enquanto morro, morro
ainda vivo. Somos a fuga da barata que teme a opressão física. Somos a opressão
física nos esquecendo de que somos apenas baratas com pensamentos além
radioatividade.
Onde está o chão que não embaixo
de nossos pés? Onde estão nossos pés que não flutuando em nossos desejos?
Quiseram nos dizer que não há escolha, quiseram nos dizer que escolher é
condenação, que carregar o estandarte é inevitável mesmo sendo o estandarte da
não escolha. Somos a falta do carimbo, o carimbo sem assinatura, o sono sem o
descanso, mas não o descanso sem o sono. Somos a beira do abismo, mas não o
abismo em sua extensão, somos o fim do proposito e o proposito do fim.
Sorrateiramente cobri meus olhos
com dedos engordurados. Meus olhos de vidro embaçaram e nunca mais consegui
reaver a transparência do enxergar por enxergar. Somos o fantasma tateável, somos o tato do fantasma. Somos o canino do monstro e o monstro que bebe pelo
canino. A sede... A sede... A sede...
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