quinta-feira, 25 de julho de 2013

Reflexão vespertina dos extremos, paralelas e perpendiculares.


Soltei as cordas que decifravam meus movimentos. Quis desesperadamente amarra-las novamente... Onde esta o sólido? O que é o sólido? O solido só pode ser algo não sólido forjado meio ao fogo propulsor,  o fogo planejado. O que é solido por essência não tem centro. Somos casca, e em algumas partes da superfície oval somos mais espessos, e quando o impacto é necessário são estas as partes que servem de escudo propositalmente.

Choramos por não haver compreensão nesse mundo que não através de uma benigna e rara alteridade. Choramos por não querer chorar. O que é a força? O que é o maleável? Há força maleável nesta existência questionável? Somos a vida da mosca sem a precisão da rotina. Somos a rotina da não-rotina sem o invólucro da mosca.

Penso logo sou, não sou e logo penso. Sinto logo sangro, sangro enquanto sinto. Vivo enquanto morro, morro ainda vivo. Somos a fuga da barata que teme a opressão física. Somos a opressão física nos esquecendo de que somos apenas baratas com pensamentos além radioatividade.

Onde está o chão que não embaixo de nossos pés? Onde estão nossos pés que não flutuando em nossos desejos? Quiseram nos dizer que não há escolha, quiseram nos dizer que escolher é condenação, que carregar o estandarte é inevitável mesmo sendo o estandarte da não escolha. Somos a falta do carimbo, o carimbo sem assinatura, o sono sem o descanso, mas não o descanso sem o sono. Somos a beira do abismo, mas não o abismo em sua extensão, somos o fim do proposito e o proposito do fim.

Sorrateiramente cobri meus olhos com dedos engordurados. Meus olhos de vidro embaçaram e nunca mais consegui reaver a transparência do enxergar por enxergar. Somos o fantasma tateável, somos o tato do fantasma. Somos o canino do monstro e o monstro que bebe pelo canino. A sede... A sede... A  sede...

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