segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

ESPERA

     Caminhei displicente pela estrada que minha mente criava. Folhas secas pelo chão. Pequenas sombras percorriam a beira da estrada, me vigiando. Um leve farfalhar, um tremular de lábios foi fotografado na minha retina direita, na esquerda, o vazio, o medo de conhecer.
     O sol já deixava o horizonte. Mãos lindas, de feminilidade infinita, agarravam um guarda-chuva. Olhos cansados, um abraço gentil, uma despedida: Até amanhã...
     Voltei atento pela estrada que minha mente havia criado. As pequeninas sombras flanqueavam minha figura. Senti as gotas da chuva molhando meus óculos. Senti o frio, minha pele, minha trilha fugaz.
     Cacei meu manual pelos bolsos. Li: Paciência é penitencia mais experiência! Demência? Respostas só na sequência...
  Joguei o manual numa lixeira. Que chance terei? Sou desprovido de sucesso, nem centelhas. Quero o fim como o começo, quero toda teia. Quero meu outro pé do par de meias. Estou com frio, estou com medo, estou sem beira...

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